1.4.15

Morar em um disco



Provavelmente você deve ter seus discos preferidos e sem dúvida já sentiu vontade de morar dentro de um deles. Certamente você já se deparou com um álbum desses que se ouve de cabo a rabo repetidas vezes e não enjoa nunca. Quanto mais se ouve mais se quer ouvir. Duvido que ninguém nunca tenha se encontrado com uma sensação dessas principalmente na adolescência onde tudo é descoberta e todo lugar novo é um bom refúgio.

Estava pensando nisso esses dias quando vi alguém comentar no facebook algo do tipo: “eu quero morar no álbum dessa mulher”, referindo-se ao CD novo de alguma dessas cantoras pop do momento.   Imediatamente concordei porque mesmo que inconscientemente cada um de nós manifesta esse desejo de morar ou nunca mais parar de ouvir esses álbuns bem feitos que marcam a vida da gente.

Eu particularmente tenho discos de uma vida inteira que coleciono e guardo em um memorial mas já tive discos de fases curtas que chegaram no momento exato em que eu precisava estar reconciliado comigo mesmo inventando quem realmente eu sou. Tudo isso porque a música tem um poder libertador de nos fazer sentir a textura dos sentimentos e nos envolver num mundo a parte. A música faz parte dos momentos mais importantes da vida e ocupa um lugar especial.

Morar em um disco é ter sempre uma boa voz ao pé do ouvido, é se envolver com emoções e acordes, é tocar o horizonte e abraçar as nuvens. É trocar de realidade, de amores e até de concepções porque tudo que aprendemos é provisório e está aberto a refutações. É marcar o ritmo com o corpo rindo ou chorando, é ouvir o barulho de dentro e ter a sensação de que a barreira interna e externa se rompeu. Habitar em um disco que se goste é esperar sempre pela próxima faixa, é estar fora de alcance e livre de qualquer interferência. É saber sentir as melodias e degustar cada nota musical.

Layout exclusivo do blog - Pensamentos Soltos | Feito por: Alice Grunewald | Tecnologia do Blogger | Cópia total ou parcial é proíbida ©