4.10.15

Reflexão de Aniversário



Outubro é meu mês de aniversário e normalmente nessa época do ano e no fim dele (dezembro) eu me encontro mais reflexivo, do que de costume, na vida, no que tenho feito, no que observo do mundo. O que tem chamado a minha atenção é que normalmente a gente costuma medir a vida pelo número de aniversários que faz, pela elasticidade da pele, pela quantidade de fios de cabelos brancos na cabeça ou por algum outro fator externo que o tempo faz questão de ressaltar em nós e acabamos por NÃO entender que melhor mesmo é contar o tempo de uma forma diferente. Melhor do que se rotular é experimentar contar o tempo pelos sentimentos e sensações que se ganha ao longo das descobertas que se faz na vida e descobrir um sentido para estarmos aqui vivendo.

Mande uma mensagem para quem você ama e divirta-se sem se preocupar com mais nada; reúna mais amigos; reencontre quem há muito tempo não via; recomece daquele ponto de onde você parou. Troque a cor do cabelo; enfeite a alma com várias texturas e nuances; gaste suas meias no chão de casa; seja turista na sua própria cidade e abandone algumas certezas. 

Troque o número de anos pelo número de sorrisos. Não se contente com o que dizem vá questionar; transgrida a caretice do mundo e enxergue a vida com os olhos de quem quer viver. Desperte para a vida, viva mais, experimente mais, faça mais.  E vivendo a gente descobre, no meio do caminho, que a vida terrena precisa de um sentido. Nessa busca por sentido é necessário cautela para não fazer escolhas aleatórias e optar pelo efêmero, afinal, pra onde coisas passageiras nos levam se não para sermos pessoas também passageiras?

Faça valer a pena. Aprenda novos idiomas, cante o que te faz bem, ouça o que vem do alto e descubra que Deus canta sobre nós. Não se conecte apenas nas coisas terrenas e passageiras procure saber sobre a eternidade, afinal, como algo que tem um curto tempo de duração pode ser o sentido da minha vida inteira? Cuide para que quando for deitar a cabeça no travesseiro não sinta o vazio dominar seu ser porque certas buscas humanas são assim, vazias. Melhor mesmo é olhar adiante.

3.9.15

O mistério que a morte traz


Essa semana me peguei refletindo sobre o  temível sentimento de morte. Algo mórbido, terrível e tenebroso para nós que ainda vivemos. Me deparei com casos reais de pessoas que perderam quem amavam e pude entender que a morte para quem está vivo é um grande mistério tecido de névoas, falta de esperança, incertezas e um conflito inevitável para qualquer ser humano.

Todos os dias os noticiários estão recheados de mortes, perdas, roubos, enganos. Pessoas que poderiam estar ali de tantas maneiras melhores e mais apropriadas. Por competência, pelo trabalho reconhecido, ou por terem conseguido algum feito inédito no mundo mas infelizmente foram vítimas de um contexto desleal ou mesmo de um destino já traçado. 

Sempre me entristeço por pessoas que perdem suas vidas de maneira injusta e sempre penso como foram interrompidas de realizar sonhos, roubadas de suas conquistas e das metas que idealizaram atingir para si mesmas desde sempre. Imagino o quanto deviam ser excelentes filhos, pessoas inteligentes, com histórias interessantes ou mesmo nada disso mas me pego idealizando personalidades que nunca conhecerei e me lamentando por um luto que não é meu.

Entretanto para quem morreu acredito que o momento seja esclarecedor, intrigante e talvez recompensador desvendar todo esse mistério que é a vida. Além do mais morrer é não ter mais que enfrentar trânsitos caóticos, oposições políticas, crises econômicas. É estar isento de contas de água, luz, telefone e num sentido mais profundo talvez seja livrar-se dos insucessos, do movimento das horas, de demoras e esperas, das injustiças, da dinâmica existencial que nos faz sofrer e da nossa incapacidade de lidar com as agonias de ser. Talvez esse terrível medo da morte seja só pelo encontro com o desconhecido.

29.7.15

Lista de Desejos




Certa vez em um dos meus aniversários fui questionado sobre os meus desejos para o futuro e expectativas para a nova idade. Na hora meio que automático dei uma dessas respostas clichês do tipo: “paz, saúde e dinheiro no bolso”. Mas a verdade é que não eram só esses os meus anseios e isso ficou martelando em mim dias, meses, horas e entendi que minha capacidade de desejar estava além daquela reposta de frases feitas. Então decidi fazer uma lista de desejos.

Desejo que o meu astral domine o mundo, que as pessoas sejam atraídas unicamente pelo que eu sou não pelo que eu posso oferecer e que tudo o que for negativo, falso, medíocre e superficial saia da minha vida naturalmente. Desejo estampar o mundo de forma colorida com as cores mais intensas e esbarrar nos amigos mais camaradas que existirem. Desejo as coisas mais simples, todas as alegrias que eu puder sorrir, as músicas que me façam dançar e tudo isso ao mesmo tempo em um dia ensolarado. Desejo para mim tudo do bem e que minha sintonia com a vida seja sempre assim de querer sempre mais.

Desejo o amor mais bonito que puder encontrar, que fale e ouça o meu olhar em uma sintonia telepática, que seja diferente de um jeito que eu ache perfeito, algo fora do comum, que a gente se complete e que seja tudo o que faltava na vida um do outro. Desejo mãos que se encontram, abraços que se sentem, frio na barriga, coisas em comum, coração acelerado, olhar distante e o inevitável. Desejo uma jornada de mãos dadas e momentos registrados na mente e no coração.

Desejo sentir o gosto salgado do mar e mergulhar na imensidão da sua textura azul. Desejo novos ventos, colheitas abundantes, um monte de novidade e um novo modo de pensar. Desejo não apenas novos lugares para conhecer mas os mais impressionantes que o mundo puder me mostrar. Desejo soluções simples para grandes problemas e que minhas urgências sejam saciadas. Desejo que ao invés de me aceitar como eu sou que eu possa descobrir ao longo da vida que eu posso ser muito melhor.

Cada desejo desses são razões suficientes para uma vida inteira e se eu eu pudesse enviar uma mensagem pra mim mesmo ao realizar cada um deles no futuro o normal seria que eu dissesse: “nunca mude e continue a ser essa pessoa incrível que tem fome e sede de desejar”, mas na verdade eu diria: “continue mudando porque assim você continua mudando a minha vida. Viva cada vez mais e cada vez de um jeito diferente”.

5.5.15

Sobre amor e admiração



A ela que esteve presente nos momentos mais felizes da minha vida, que celebrou comigo conquistas muito significativas, que me deu incentivo indispensável para a realização de grandes sonhos e que sempre me incentivou a ir mais longe. A ela tributo toda a minha alegria e o meu melhor sorriso que a faz sorrir de volta. 

A ela que esteve por perto nos meus piores dias, que vestiu meus medos e fracassos como se fossem dela e que sempre soube dizer as palavras certas de encorajamento. Que nunca hesitou em buscar o melhor pra mim, que me passou segurança nos primeiros dias de aula do jardim de infância até que eu me acostumasse com aquele nova situação, que na minha formatura da faculdade me abraçou forte, enxugou minhas lágrimas e disse que o melhor ainda estava por vir pois aquela conquista era resultado de muito esforço. A ela devo minha dedicação, admiração e respeito.

Ela que reúne em si muito do que eu sou e do que pretendo ser (mais altruísta, menos complicado e talvez até mais acolhedor); que me deu suporte na infância para construir tudo o que hoje é refletido em mim; que me fez ouvir os “eu te amos” mais intenso e mais verdadeiros que já ouvi na vida por que uma expressão dessas é a extensão em letras da alma de quem a diz e se não for assim, é só uma falsidade de vogais.

A ela que suportou as noites de sono com carinho, que curou febres, tosses, crises de asma e resfriados com receitas simples e muita dedicação, que cantava pra mim nas noites de insônia, que se empenha sempre em me ver bem, que me enxerga além do que os olhos podem ver dedico todo o meu amor. Meu maior presente é chamá-la de mãe.

1.4.15

Morar em um disco



Provavelmente você deve ter seus discos preferidos e sem dúvida já sentiu vontade de morar dentro de um deles. Certamente você já se deparou com um álbum desses que se ouve de cabo a rabo repetidas vezes e não enjoa nunca. Quanto mais se ouve mais se quer ouvir. Duvido que ninguém nunca tenha se encontrado com uma sensação dessas principalmente na adolescência onde tudo é descoberta e todo lugar novo é um bom refúgio.

Estava pensando nisso esses dias quando vi alguém comentar no facebook algo do tipo: “eu quero morar no álbum dessa mulher”, referindo-se ao CD novo de alguma dessas cantoras pop do momento.   Imediatamente concordei porque mesmo que inconscientemente cada um de nós manifesta esse desejo de morar ou nunca mais parar de ouvir esses álbuns bem feitos que marcam a vida da gente.

Eu particularmente tenho discos de uma vida inteira que coleciono e guardo em um memorial mas já tive discos de fases curtas que chegaram no momento exato em que eu precisava estar reconciliado comigo mesmo inventando quem realmente eu sou. Tudo isso porque a música tem um poder libertador de nos fazer sentir a textura dos sentimentos e nos envolver num mundo a parte. A música faz parte dos momentos mais importantes da vida e ocupa um lugar especial.

Morar em um disco é ter sempre uma boa voz ao pé do ouvido, é se envolver com emoções e acordes, é tocar o horizonte e abraçar as nuvens. É trocar de realidade, de amores e até de concepções porque tudo que aprendemos é provisório e está aberto a refutações. É marcar o ritmo com o corpo rindo ou chorando, é ouvir o barulho de dentro e ter a sensação de que a barreira interna e externa se rompeu. Habitar em um disco que se goste é esperar sempre pela próxima faixa, é estar fora de alcance e livre de qualquer interferência. É saber sentir as melodias e degustar cada nota musical.

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