5.9.13

O que vi da rua





Eu vi uma mulher ferida numa prisão de insucessos e de misérias. Senti seu mau cheiro, toquei nos seus medos e na sua dor. Percebi em sua alma tons de preto, cinza e pouca vontade de abrigar novas cores.

Uma mulher que prefere não falar do seu passado mas que o conta inconscientemente em um olhar aberto, perdido e vulnerável, que procura desesperadamente alguém que lhe acolha. Eu li nos seus olhos uma história de sofrimento e cativeiro. Decifrei em suas palavras que ela já havia desistido de si mesma há muito tempo.

Nascida num lar distante de qualquer comodidade sentia fome de comida, de sonhos, de afeto. Pode sentir desde cedo o peso do fardo da falta de perspectiva, acabou se conformando com seu enredo parco e assumiu seu papel de vítima. 

Em todo lugar por mais empoeirado, sujo, trágico e desesperançado que seja, há sempre alguém ainda mais empoeirado, sujo, cinzento e desesperançado.

As magoas do seu passado paralisaram seus sonhos, deformaram sua visão. Essa mulher que se construiu querendo novas chances se aprisionou em seu papel de vítima e dele não abre mão. Culpa o mundo, as pessoas, o destino mas não procura meios concretos para sair daquela prisão.

Aquela mulher sem chances não passa de uma vítima de si mesma, não entende que a diferença entre as histórias de vida está na iniciativa de mudar, de buscar novos meios para novos rumos. Enquanto a vida não muda ela continua a se machucar.

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